Com as isenções e o desconto por tempo.
A conta de 15% ignora o desconto que a lei dá para cada mês em que o imóvel foi seu.
Quem vende um imóvel costuma fazer uma conta só: lucro vezes 15%. Num apartamento comprado por R$ 400.000 e vendido por R$ 700.000, isso dá R$ 45.000.
Se o imóvel foi seu por onze anos, o imposto real cai para R$ 27.882. A diferença de R$ 17.118 não vem de arredondamento, e sim do desconto por tempo que a Lei 11.196/2005 criou.

Três situações zeram ou reduzem o imposto, e basta cumprir uma delas.
Nenhuma pede autorização da Receita, mas a compra de outro imóvel precisa ser marcada no GCAP, o programa que calcula o imposto da venda.
Imóvel único
Venda de até R$ 440.000
Vale se nenhum outro imóvel saiu do seu nome em 5 anos
Venda pequena
Vendas de até R$ 35.000 no mês
O limite soma todos os imóveis vendidos no mesmo mês
Comprou outro imóvel
Isenta a parte do dinheiro que foi para o novo imóvel
Vale se a compra ou a quitação sair em até 180 dias, e só uma vez a cada 5 anos
Depende de mais duas condições, além do limite de valor.
O imóvel precisa ser o único que você possui, e uma fração de 20% de uma chácara herdada já conta como segundo imóvel. Nenhum outro imóvel pode ter saído do seu nome nos cinco anos anteriores, por venda, doação, permuta ou partilha.
Se faltar uma delas, o imposto é calculado normalmente e o desconto por tempo continua valendo. O limite vale para qualquer imóvel, inclusive sala comercial e terreno.
Cada dono calcula só a parte dele, com uma exceção para o casal.
O resultado traz o lucro da venda, a base do imposto e o imposto a pagar, e a base é o número que decide o valor do imposto.
Vai de 15% a 22,5%, e cada percentual vale só para a parte da base dentro da sua faixa.
É a mesma lógica do imposto descontado do salário.
| Parte da base do imposto | Alíquota |
|---|---|
| Parte da base até R$ 5 milhões | 15% de imposto sobre essa parte |
| Parte entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões | 17,5% de imposto sobre essa parte |
| Parte entre R$ 10 milhões e R$ 30 milhões | 20% de imposto sobre essa parte |
| Parte acima de R$ 30 milhões | 22,5% de imposto sobre essa parte |

Uma venda comum mostra a conta passo a passo, do lucro ao imposto.
Situação
A Cláudia comprou um apartamento em março de 2015 por R$ 400.000 e o vendeu em julho de 2026 por R$ 700.000, sem corretor. Como ela tem outro imóvel no nome dela, a isenção do imóvel único não vale.
A conta
Lucro: R$ 700.000 menos R$ 400.000 dá R$ 300.000. O imóvel foi dela por 137 meses, e os descontos por tempo desse período dão um fator de redução de 0,6196, que multiplica o lucro. A base cai para R$ 185.883. Sobre ela incidem 15%.
Resultado
R$ 27.882,51, com vencimento no último dia útil de agosto de 2026. Se a Cláudia tivesse aplicado os 15% diretamente sobre o lucro, teria recolhido R$ 45.000 e pago R$ 17.118 a mais do que devia.
O GCAP (programa de Ganhos de Capital da Receita Federal) calcula o imposto e gera o DARF, a guia de pagamento de tributo federal.
A venda isenta não tem imposto a pagar, mas a Receita manda informá-la na declaração do ano seguinte.
Nas isenções de R$ 440 mil e de R$ 35 mil, o lucro vai na ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, uma das seções do programa da declaração.
A escolha pela isenção da compra de outro imóvel em 180 dias vai no demonstrativo de ganhos de capital, a parte da declaração sobre vendas com lucro. Ela não pode ser desfeita, obriga a declarar e impede a entrega pelo serviço Meu Imposto de Renda.
Quem entrega a declaração obrigatória fora do prazo paga multa de 1% por mês ou fração sobre o imposto devido, com mínimo de R$ 165,74 e teto de 20%.
Nos erros de conta e de prazo abaixo, que a Receita Federal já tratou em respostas oficiais.
Não use a calculadora nas situações abaixo, porque em todas elas o número sairia errado.
A calculadora não cobre quem atualizou o valor do imóvel na declaração, seja em 2024 ou no prazo aberto até fevereiro de 2026. Essa atualização tem regra própria, e o resultado sairia menor que o devido.
Ela também não trata de venda parcelada, de venda em partes do mesmo imóvel, de inventário em aberto nem de quem mora fora do Brasil. Nessas situações, procure um contador antes de pagar.
O imposto vem depois que a venda fecha. Quem sustenta a venda é o contrato, que define quem paga o ITBI e o registro, o que acontece com o sinal se alguém desistir e quando as chaves passam.
Cada um paga sobre a parte dele, e os R$ 440 mil da isenção valem por pessoa. Na calculadora, marque que o imóvel tem mais de um dono e informe a sua porcentagem, mantendo os valores do imóvel inteiro nos outros campos. Depois, cada dono preenche o próprio GCAP e paga o próprio DARF, a guia do imposto.
Não, se os dois imóveis forem residenciais, o novo ficar no Brasil e no seu nome, e a compra sair em até 180 dias. Aplicando só parte do dinheiro, você paga sobre a parte que sobrou. Quitar o financiamento de outro imóvel residencial também vale.
O dia do contrato de venda já é o dia 1. Uma venda fechada em 15 de janeiro tem prazo até 13 de julho. Na compra parcelada, só conta o que você pagar dentro do prazo.
O atraso soma ao imposto uma multa de 0,33% por dia, limitada a 20%, como manda a Lei 9.430/1996. Os juros seguem a taxa Selic, a taxa básica de juros, a partir do mês seguinte ao vencimento. No mês do pagamento, os juros são de 1%.
Quem vende paga, porque o imposto incide sobre o lucro de quem sai do imóvel. O comprador paga o ITBI e as custas de escritura e registro, salvo se o contrato de compra e venda dividir de outro jeito.
Não. Prejuízo na venda de um imóvel não compensa o lucro de outra venda, nem quando as duas acontecem no mesmo mês.
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